Primeira leitura

Mosquinhas mirabolantes

Trecho de Testosterona Rex

Em meio às brumas do tempo que felizmente lançam uma névoa por sobre a lista de namorados que tive ao longo da vida, em algum momento me envolvi com um homem cujo carro era um Maserati. Quando deixei escapar essa informação para a minha mãe, ela respondeu no tom de voz afetado e artificial que usa toda vez que, em deferência à minha condição - tecnicamente falando - de adulta, deseja disfarçar o fato de que acha que tomei uma decisão que sem dúvida levará ao desastre. "Imagina só, um Maserati!", exclamou. "Que chique, ele tem muitas namoradas?"

A conexão que ela sugeriu de forma nada sutil tem uma interessante história científica. Em meados do século passado, o biólogo e geneticista britânico Angus Bateman conduziu uma série de experimentos com as drosófilas (Drosophila melanogaster), também conhecidas como mosquinhas-das-frutas. No fim das contas, elas se tornariam a fonte de uma torrente de alegações sobre as diferenças psicológicas que se desenvolveram entre mulheres e homens. Qualquer pessoa que um dia já tenha se deparado com a ideia de que homens dirigem Maseratis pela mesma razão que pavões cultivam caudas primorosamente ornamentais foi tocada pelas repercussões desse estudo pioneiro. A pesquisa de Bateman foi inspirada pela teoria darwiniana da seleção sexual, uma subteoria muito debatida no âmbito da teoria darwiniana da seleção natural, esta sim, amplamente aceita. Segundo essa teoria, a seleção sexual é o processo por meio do qual a frequência de diferentes versões de um traço hereditário muda no decorrer do tempo, devido ao fato de que algumas variedades de um traço resultam em um sucesso reprodutivo maior que outros. Tratava-se, em parte, de uma tentativa de compreender e atribuir sentido ao mistério de por que os machos de muitas espécies exibem características extravagantes e pomposas, a exemplo da cauda do pavão. Esses fenômenos exigiam uma explicação porque eram muito estranhos para a teoria darwiniana da seleção natural. Afinal, se um dos objetivos primordiais da vida de uma criatura é evitar ser devorado por outro animal, então um traseiro emplumado no formato de um leque imenso e chamativo de abano não é uma vantagem.

A explicação de Darwin calcava-se em observações fartamente pormenorizadas de animais e seus hábitos de acasalamento. (Como um jornalista da revista Nature apontou sobre aquela época, "a despeito da reputação de puritanismo e pudicícia dos vitorianos [...], havia poucos lugares no mundo onde animais em pleno galanteio poderiam escapar de um naturalista com seus blocos de anotações".) Esses estudos de campo deram origem à famosa observação de Darwin em A origem do homem e a seleção sexual, de que a causa para que os machos se afastassem da forma feminina "parece estar no fato de que os machos de quase todas as espécies de animais são dotados de paixões mais fortes do que as fêmeas. Por isso, são os machos que lutam juntos e, diligentes, exibem laboriosos seus encantos diante das fêmeas".

No que diz respeito à disputa, mais conhecida formalmente como competição intrassexual, Darwin propôs que algumas características (como um tamanho descomunalmente avantajado e imponente ou um par grande e ameaçador de chifres) em geral são selecionadas de maneira mais vigorosa para o benefício dos machos. Isso ocorre porque esse tipo de traço amplia a vantagem reprodutora de um macho, por incrementar sua capacidade de lutar contra outros machos pelo acesso a fêmeas. Por outro lado, características mais excêntricas ou estapafúrdias - uma plumagem esplêndida, um odor agradável ou uma cantoria intrincada - exercem seu efeito positivo no sucesso reprodutivo, intensificando o encanto com que o macho atrai a fêmea. Essa dinâmica recebe o nome de competição intersexual.

Darwin reconhecia que o padrão que descrevera era por vezes invertido: as fêmeas eram competitivas ou ornamentadas e os machos adotavam o estilo seletivo, exigente e menos espetaculoso. Mas isso era menos comum, porque, como Darwin sugeriu, o desafio de ser escolhido geralmente recaía com maior ímpeto sobre os machos do que sobre as fêmeas. Ele deu a entender que isso se devia de alguma forma a diferenças no tamanho e na mobilidade de espermatozoides vis-à-vis os óvulos. Mas foi Bateman quem, retomando a ideia do ponto onde Darwin havia parado, desenvolveu-a e ofereceu a primeira explicação contundente para o fato de os machos competirem, e depois as fêmeas escolherem um dentre eles.

O objetivo da pesquisa de Bateman era testar uma previsão a partir da teoria da seleção sexual. Tal qual a seleção natural, para que a seleção sexual funcione, ela precisa de variação no sucesso reprodutivo: se todo mundo obtiver êxito idêntico na produção de uma prole, não há base que sirva de referência para eliminar os indivíduos menos bem-sucedidos. Se, conforme Darwin sugeriu, a seleção sexual afeta mais fortemente os machos, então isso implica uma maior variação no sucesso reprodutivo dos machos em comparação com as fêmeas - isto é, uma amplitude mais extensa entre os indivíduos mais ou menos bem-sucedidos em termos reprodutivos. Foi Bateman que pôs esse pressuposto à prova pela primeira vez.

Para tanto, realizou uma série de experimentos em que drosófilas machos e fêmeas foram colocadas juntas dentro de frascos de vidro para se reproduzirem livremente durante três ou quatro dias. No fim desse período, Bateman calculou da melhor maneira que pôde quantos filhotes cada macho e cada fêmea haviam produzido, e de quantos parceiros diferentes. Ele precisou de engenho considerável para fazer isso, uma vez que a disciplina da biologia molecular, graças à qual hoje em dia há kits de teste de paternidade à venda nas prateleiras dos supermercados, não existia na década de 1940.

Um fã de filmes e séries talvez ficasse tentado a descrever a solução a que Bateman chegou como um cruzamento entre Frankenstein e Big Brother. Cada um dos espécimes em sua série apresentava uma mutação congênita diferente, única e distintiva: alguns com nomes charmosamente evocativos ("Cerda", "Careca" e "Asa peluda"); outros horripilantes (como a mosca "microcéfala", de olhos minúsculos ou sem olhos). Cada mosquinha tinha um alelo (uma das duas cópias de um gene) mutante dominante e um gene recessivo normal: em outras palavras, conforme o leitor há de lembrar vagamente das aulas de biologia do ensino médio, mais ou menos um quarto da progênie acabaria evidenciando uma mutação tanto do pai como da mãe, um quarto apenas a mutação do pai e outro quarto somente a mutação da mãe (os 25% sortudos remanescentes da prole não apresentariam mutação alguma). Esse princípio de herança genética permitiu a Bateman estimar quem havia acasalado com quem, quantos filhotes cada macho e cada fêmea tinham produzido e com quantos diferentes parceiros de cópula cada mosquinha havia se divertido.

O resultado das seis séries de acasalamentos de Bateman foi o primeiro relato científico de uma maior variação no sucesso reprodutivo do macho. Por exemplo, 21% dos machos fracassaram na produção de filhotes, em comparação com apenas 4% das fêmeas. Eles também mostraram uma maior variação no número estimado de parceiras de cópula. Mas foi a ligação entre as duas descobertas que se tornou a base para explicações de por que os machos competem e as fêmeas escolhem: Bateman concluiu que, embora o sucesso reprodutivo das moscas macho - medido pela quantidade de descendentes adultos gerados - aumentasse com a promiscuidade, o mesmo não ocorria com as drosófilas fêmeas, que, ao contrário, tinham maior sucesso quando elas se reproduziam com o mesmo parceiro. A explicação decisivamente importante de Bateman foi a percepção hoje conhecida de que o sucesso masculino na produção de descendentes é em larga medida limitado pelo número de fêmeas que ele é capaz de inseminar, ao passo que uma fêmea nada ganha com outros acasalamentos (já que seu primeiro parceiro deveria lhe fornecer muito mais espermatozoides do que ela necessita).

Curiosamente, o estudo de Bateman foi ignorado durante mais de vinte anos. Até que seu argumento foi expandido em um estudo pioneiro do biólogo evolucionário Robert Trivers. No artigo de Trivers, um divisor de águas, a economia da produção do óvulo e do esperma tornou-se mais explícita, sendo expressa em termos do maior investimento da fêmea na forma de um óvulo grande e custoso, em comparação com a minúscula contribuição do macho de um diminuto e único espermatozoide. Trivers apontou também que a assimetria dos custos biológicos ou energéticos de reprodução pode ir muito além das diferenças relacionadas ao sexo na contribuição original dos gametas (isto é, o óvulo versus o espermatozoide) incluindo a gestação, amamentação, alimentação e proteção. Qualquer leitora que já tenha tido filhos, posso apostar, estará inclinada a concordar com esse ponto de vista a respeito da realidade do papel substancial da fêmea na reprodução dos mamíferos. Minha própria compreensão pessoal dessa verdade profunda se deu durante minha primeira gravidez, ao ler uma descrição realista e nem um pouco obsequiosa de um parto como uma façanha física comparável à de uma pessoa que sai de dentro de um automóvel pelo cano do escapamento. O sexo de investimento mais alto - de praxe, o feminino - deveria, portanto, reter o melhor macho possível, Trivers especulou, visto que os custos de um acasalamento de baixa qualidade são consideráveis. Mas os machos fariam de tudo para competir com outros machos a fim de disseminar entre o maior número possível de fêmeas sua semente barata e produzida em massa. Uma implicação suplementar, alegou Trivers, era que os machos em geral têm menos a perder do que a ganhar abandonando a prole existente para buscar uma nova parceira de cópula.

O Paradigma de Bateman, como às vezes é conhecido, foi durante muito tempo o "princípio norteador e a pedra angular de boa parte da teoria da seleção sexual". Na definição de Zuleyma Tang-Martínez, bióloga evolucionária da Universidade do Missouri em St. Louis, "até muito recentemente, os inquestionáveis pressupostos subjacentes ao estudo da seleção sexual eram que os óvulos são caros, ao passo que os espermatozoides são ilimitados e baratos, e que, portanto, os machos deveriam ser promíscuos, enquanto as fêmeas deveriam ser bastante seletivas e exigentes e acasalar apenas com o melhor macho possível, e que deveria haver maior variação reprodutiva entre os machos (em comparação com as fêmeas), porque são eles que competem por fêmeas e copulam com mais de uma delas. Uma vez que as fêmeas supostamente se acasalam com um único macho, isso significa que alguns machos talvez copulem com muitas delas, ao passo que outros podem procriar com poucas ou nenhuma. Essa variação reprodutiva é, então, responsável pela seleção sexual de traços característicos que os machos mais bem-sucedidos têm".

Irrefutavelmente elegantes, as conclusões de Bateman, aprimoradas por Trivers, desfrutaram por muitos anos do status de princípios universais. Tornaram-se também o fundamento de alegações sobre as diferenças que mulheres e homens desenvolveram, em que caudas de pavão são substituídas por Maseratis, por um escritório melhor e mais bem localizado ou por troféus imensos e reluzentes. Apenas substitua a expressão "muitas fêmeas" por "muitas namoradas" e "traços característicos que os machos mais bem-sucedidos têm" por "Maseratis que os homens mais bem-sucedidos têm", e todos os pontos se ligam. A partir dessa perspectiva evolutiva, uma mulher que deseja um status elevado é um pouco parecida com um peixe que deseja uma bicicleta.

Entretanto, nas últimas décadas houve tal reviravolta conceitual e empírica acerca da seleção sexual na biologia evolucionária que, de acordo com um professor da área com quem conversei, hoje os artigos clássicos de Bateman e Trivers são em larga medida citados por razões sentimentais. De maneira surpreendente, o primeiro conjunto de dados contraditórios que examinaremos vem do estudo do próprio Bateman.

Embora as conclusões de Bateman tendam a evocar imagens da Mansão Playboy ou de haréns bem abastecidos, é necessário por ora retornar aos seus insalubres frascos de vidro. Foi somente neste século que se inicia que, ao constatar que esse artigo seminal jamais havia sido repetido ou reproduzido, e aparentemente nem sequer submetido a um escrutínio mais detido, os biólogos contemporâneos Brian Snyder e Patricia Gowaty o reexaminaram. Eles próprios admitem que, ao retomar o estudo, estavam munidos de muitas vantagens de que Bateman não dispunha. Isso incluía o auxílio de modernos recursos computacionais, métodos estatísticos mais sofisticados e - talvez eu ouse acrescentar - cinquenta anos de percepções, noções e discernimentos feministas sobre o modo como as convicções culturais podem afetar o processo científico. Como outros críticos modernos do estudo de Bateman, Snyder e Gowaty expressaram considerável admiração e respeito pela "inovação" do estudo. Porém, como eles apontaram, dada a "natureza fundacional" do trabalho de Bateman, era "importante saber que seus dados são robustos, suas análises são corretas, e suas conclusões são justificadas". A bem da verdade, essas afirmações não se sustentaram posteriormente. O reexame de Snyder e Gowaty revelou alguns problemas significativos.

Para começo de conversa, como o leitor há de recordar, Bateman usou diferentes tipos de deformidades e mutações de drosófilas para inferir o sucesso reprodutivo a partir do padrão particular de anormalidades passadas adiante para cada descendente. Se esse método faz você, leitor, sentir náuseas ao ponderar sobre o horror elevado ao quadrado de uma mosquinha desgraçada o bastante para herdar, ao mesmo tempo, tanto uma mutação materna como uma paterna, então você está a um passo de um problema significativo: no fim ficou claro que essas mutações afetavam a viabilidade da prole, e em sua contabilidade Bateman só computou jovens moscas sobreviventes. Se, por outro lado, uma mosca que apresentasse apenas uma mutação, ou nenhuma, tinha probabilidade maior de sobreviver, isso poderia ser atribuído, na melhor das hipóteses, a um dos pais. Devido ao fato de a linhagem ou filiação de tantas fertilizações permanecer completa ou parcialmente não contabilizada, abre-se considerável margem para erro. Bateman apenas reconheceu esse problema, ao passo que Snyder e Gowaty o quantificaram. Eles perceberam que, em dois terços da série de experimentos de Bateman, os dados indicavam que os machos tinham produzido mais descendentes do que as fêmeas: uma impossibilidade lógica, já que cada descendente tinha obviamente um pai e uma mãe. Em outras palavras, os dados tinham sido enviesados em favor da contagem da progênie de machos. Essa inclinação é importante porque o propósito do estudo era justamente comparar a variação de macho e fêmea no sucesso reprodutivo, e no entanto os dados tenham sido enviesados de modo a inflar as estimativas da variação de machos.

Mesmo deixando de lado essa fonte de distorção nos dados de Bateman, persiste um problema crucial, proposto pela primeira vez por Tang-Martínez e Brandt Ryder. Embora reconhecendo que o estudo de seu antecessor era "engenhoso e elegante", Tang-Martínez e Ryder apontaram também que sua famosa descoberta de que somente os machos se beneficiam da promiscuidade - imortalizada em um princípio universal - se aplicava na verdade apenas às duas últimas séries de experimentos. Por razões que permanecem obscuras, Bateman analisou os dados das quatro primeiras séries separados das duas últimas e apresentou-os em dois gráficos independentes. Notavelmente, as fêmeas mostraram maior sucesso reprodutivo com um número maior de parceiros nas primeiras quatro séries, ainda que inferior ao dos machos. Mas, na seção de discussão de seu artigo, Bateman concentrou-se essencialmente nos resultados que se ajustavam à noção de machos competitivos e fêmeas seletivas. Como aponta Tang-Martínez, esse foco restritivo foi a seguir perpetuado por outros:

"Com poucas exceções, a maior parte dos pesquisadores posteriores apresentou os dados das séries 5 e 6 de Bateman (seu segundo gráfico) e fiaram-se neles. Discussões gerais acerca da seleção sexual e até mesmo livros didáticos sobre comportamento animal quase sempre apresentaram somente o segundo gráfico, e a discussão limitou-se apenas a esses resultados, geralmente como uma explicação de por que os machos são promíscuos e as fêmeas, recatadas e seletivas. Os resultados das séries 1 a 4, e qualquer discussão sobre um aumento [no sucesso reprodutivo] das fêmeas como uma função do número de machos com que ela copulou, para todos os efeitos práticos, desapareceram da literatura."

Para ver como seriam os resultados sem a aparentemente arbitrária separação entre as séries experimentais impostas por Bateman, Snyder e Gowaty reanalisaram dados de todas as séries, somados em conjunto. Em tom jocoso, apontaram que, se pelo menos o próprio Bateman tivesse feito isso, ele poderia ter reivindicado com orgulho a descoberta da primeira evidência dos benefícios reprodutivos da promiscuidade feminina! O sucesso reprodutivo aumentou em relação direta com o número de parceiros tanto para fêmeas como para machos, e em um grau semelhante. Tomada em conjunto com a inclinação para a contagem da prole dos machos, a conclusão a que chegaram foi de "que não existe nenhuma base estatística séria nos dados de Bateman para sua conclusão de que o sucesso reprodutivo das fêmeas não aumenta com o número de parceiros".

Talvez seja desnecessário dizer que o fato de os princípios de Bateman terem sido desmentidos pelos próprios dados produzidos por ele representou um retrocesso. Claro que os biólogos evolucionários interessados em seleção sexual não ficaram à toa durante décadas a fio, seguros de que o bom e velho Bateman houvesse descoberto em 1948 tudo o que precisavam saber. Estavam ocupados realizando experimentos, e a pesquisa contemporânea identificou muitas espécies às quais os princípios de Bateman parecem de fato se aplicar. Contudo, a Drosophila melanogaster acabou se revelando apenas o início de uma história empírica mais complicada. Em 2012, uma extensa tabela publicada em um periódico acadêmico de ecologia comportamental listou 39 espécies, de uma ponta à outra do espectro do reino animal, em que a pesquisa havia estabelecido que a promiscuidade feminina ocasiona maior sucesso reprodutivo.

E, no entanto, embora em muitas dessas espécies o vínculo seja mais forte para os machos, às vezes ele é igual (por exemplo, no caso do esquilo-do-pinheiro amarelo e do tritão-selvagem-oriental).

Isso ajuda a explicar por que, ao contrário da compreensão histórica de que a promiscuidade é em geral exclusiva dos machos, agora está claro que a promiscuidade feminina é abundante em todo o reino animal - das drosófilas às baleias jubartes (também conhecidas como baleias-cantoras) - e "difundida" entre os primatas. Essa revelação deve muito às técnicas de teste de paternidade de DNA, que permitiram aos pesquisadores retirar os véus de discrição que antes encobriam a copiosa e desenfreada promiscuidade feminina (em especial em muitas fêmeas de aves supostamente monogâmicas). Examinemos o acasalamento lek: um arranjo em que os machos competem entre si em um território específico, em um conflito em que "o vencedor leva tudo" no acesso sexual a fêmeas. É o caso paradigmático de machos competitivos e fêmeas seletivas e exigentes. Em algumas espécies, no entanto, um exame mais aprofundado, com o auxílio de técnicas de teste de paternidade, virou esse padrão de cabeça para baixo.

Por exemplo, observações do maçarico-das-rochas-de-peito-ruivo, uma bela ave costeira, realizadas ao longo de dois anos, sugeriu que, em conformidade com as expectativas tradicionais acerca do funcionamento do lek, um macho afortunado estava envolvido em 80% dos acasalamentos no primeiro ano, e em 100% no segundo. Para ele valeu muito a pena correr qualquer risco para alcançar a posição de macho alfa, qualquer um pensaria. Todavia, o teste de paternidade de DNA aplicado a mais de 160 filhotes chocados durante esse período revelou que muita coisa havia ocorrido, digamos, por debaixo dos panos. Longe de um ou dois machos terem toda a sorte reprodutiva, pelo menos 59 machos diferentes haviam fertilizado ovos nas 47 ninhadas testadas! (ovos da mesma ninhada podem ter pais diferentes). Isso significava que "na verdade havia mais pais que mães". Lembre-se: em tese deveria haver um único pai compartilhado entre toda a comunidade de mães. Ademais, a maioria dos machos só gerou descendentes com uma única fêmea; no entanto, extraordinários 40% das ninhadas tinham mais de um pai.

Não poderia haver um contraste maior com a compreensão tradicional de como um lek é operado. É como se as mulheres de um harém, ao receber a visita do sultão, comentassem com toda a tranquilidade do mundo: "Ah, não, esta criança não é sua filha - é a filha do segundo lacaio Hã? Ah, desculpe. Esse aí também não é seu, é o filho do chofer. Espere aí, sultão, a gente vai encontrar o seu filho. Nadia... Nadia! Você lembra qual dessas crianças é o filho do sultão? Ah, sim, isso mesmo. Aquele menino ali, brincando com o meio-irmão. Ele é seu. É quase certeza".

De fato, já havia relatos surpreendentes sobre a promiscuidade feminina mesmo nas décadas de 1960 e 1970, como apontado pela ecologista comportamental Sarah Blaffer Hrdy, da Universidade da Califórnia, em Davis. É o caso dos grandes felinos, como a leoa, que durante o cio é capaz de copular até cem vezes por dia com múltiplos leões. Ou dos babuínos da savana, que, de acordo com observações, buscavam ativamente inúmeros acasalamentos breves. No entanto, de alguma forma esses exames atentos não representaram um avanço conceitual: talvez porque, como Hrdy sugere com sarcasmo, "em teoria o fenômeno não deveria ter existido" (os antropólogos gostam de fazer um gracejo espirituoso: "Eu não teria visto se não tivesse acreditado").

Hrdy pode reivindicar para si a autoria da mais famosa e provocativa afronta à noção de monogamia feminina. Estudando uma espécie de macaco langur na Índia quando era aluna de pós-graduação em Harvard, ela percebeu que as fêmeas costumavam procurar outros parceiros de cópula que não os "seus chamados líderes do harém". Ela descreveu assim seu lento despertar intelectual:

"Meu primeiro vislumbre de um langur, a espécie que eu passaria quase dez anos estudando de forma intermitente, foi perto do Grande Deserto Indiano, no Rajastão. Uma fêmea movia-se rapidamente de uma ponta à outra de um íngreme cânion de granito, afastando-se de seu grupo original para aproximar-se de um bando só de machos e cortejar parceiros de cópula. À época, eu não dispunha do contexto para interpretar comportamentos que pareciam simplesmente estranhos e incompreensíveis para os meus olhos treinados por Harvard. Apenas com o tempo acabei por perceber que aquelas andanças e o comportamento aparentemente "lascivo" eram eventos recorrentes na vida dos langures."

Em função dos perigos e custos desses acasalamentos "excessivos" (como os riscos de doenças e predação por abandonar o grupo, bem como o investimento de tempo e energia que poderiam ser gastos para fazer outra coisa), esse era um comportamento que exigia explicação (Hrdy sugeriu que ele ajudava a deixar em aberto a identidade do pai, o que reduzia a probabilidade de a prole da mãe ser assassinada). Desde essa famosa revelação científica, pesquisadores apresentaram um sem-número de sugestões engenhosas sobre as vantagens que fêmeas poderiam obter com múltiplos parceiros. Na medida em que parece não haver nada mais justo do que as mulheres também terem acesso, quando traem um parceiro, a desculpas de sabor evolucionista, como "o-sussurro-dos-meus-genes-me-obrigou-a-fazer-isso", aqui exponho uma seleção dessas ideias. Entre as vantagens propostas da promiscuidade feminina, incluem-se benefícios genéticos, uma prole mais saudável e a oportunidade de estabelecer uma competição de esperma que extirpe os espécimes inferiores. Chegou-se inclusive a sugerir que as fêmeas pudessem ter relações sexuais com diversos machos a fim de sabotar o sucesso reprodutivo das rivais, por meio do esgotamento dos estoques de espermatozoides.

Se essa última possibilidade se parece mais com uma espécie ridícula de maldade do que com a mãe natureza, talvez seja por causa do grau de eficácia com que os princípios de Bateman de fato obscureceram a noção de competição feminina. Já que mesmo a mais medíocre das fêmeas pode realizar a façanha bastante modesta de ser fertilizada por um macho ávido, por anos supôs-se que toda fêmea adulta se reproduziria mais ou menos como qualquer outra. As fêmeas, portanto, sofreriam pouca pressão da seleção para desenvolver traços característicos que lhes dessem uma vantagem reprodutiva com relação a outras fêmeas. Mas, como Hrdy apontou mais de três décadas atrás e pesquisas em andamento continuam a confirmar, o status e a situação de uma fêmea podem ter repercussões de grande envergadura para seu sucesso reprodutivo - particularmente no decorrer de longos períodos, durante os quais o sucesso reprodutivo dos machos pode de alguma forma se nivelar, à medida que eles se revezam no papel de "rei do pedaço". Entre os primatas, por exemplo, a ovulação das fêmeas de posição inferior pode ser paralisada em consequência da proximidade daquelas dominantes, ou elas podem ser tão acossadas por outras fêmeas que acabam sofrendo aborto espontâneo. Na hipótese de virem a dar à luz, sua prole provavelmente terá menores chances de vingar e sobreviver, devido à alimentação inadequada, ao molestamento ou até mesmo ao infanticídio praticado por fêmeas sem parentesco. De maneira horrenda, essas fêmeas saqueadoras são famosas por comer os recém-nascidos que matam. Ao mesmo tempo, em espécies como o chimpanzé, as fêmeas de status elevado se reproduzem mais rapidamente, e seus filhotes têm maiores chances de sobreviver, aparentemente devido ao acesso a locais com víveres mais abundantes.

Recursos e status são importantes para as fêmeas (de fato, agora 
talvez seja um bom momento para lembrar que expressões como "lei do galinheiro", para indicar hierarquia social, nos foram legadas por cortesia das galinhas). Constatou-se que fêmeas mamíferas dominantes obtêm comida mais abundante e de melhor qualidade, têm mais acesso a água e locais propícios para se abrigar, correndo menores riscos de sofrer predação - assim, "o sucesso reprodutivo incrementado entre fêmeas dominantes parece ser amplamente disseminado em diversas espécies de mamíferos". Levando em conta tudo o que é necessário para gerar, amamentar e despachar com êxito um filhote mundo afora - comida, proteção, talvez um abrigo aconchegante ou o uso privilegiado de um comedouro -, isso faz sentido. Os mais aptos a competir por recursos materiais e sociais muito provavelmente terão maiores chances de passar adiante seus genes para a geração seguinte e até mesmo - por meio da qualidade dessa prole, ou por herança ou status - para a geração posterior a essa.

Em suma, nem a promiscuidade nem a competição são necessariamente um privilégio reservado ao sucesso reprodutivo dos machos.

E uma terceira objeção à força intuitiva dos princípios de Bateman é a constatação de que os machos também podem ser seletivos e exigentes. Isso, claro, não faz sentido algum se partirmos do pressuposto de que, para eles, o acasalamento se dá ao preço ínfimo de um espermatozoide saído de um estoque ilimitado. Acontece que essa é uma maneira profundamente equivocada de encarar a situação. Analisemos, por exemplo, a suposta abundância estonteante de esperma masculino, cujo custo é, em teoria, trivial. Conforme diversos cientistas apontaram, tanto a observação como a experiência pessoal atestam o fato de que os machos não oferecem apenas um único espermatozoide em troca de um óvulo. Pelo contrário, eles produzem, a cada vez, milhões de espermatozoides (nos humanos, na ordem de 200 milhões) que vicejam de forma copiosa nas secreções glandulares que compõem o sêmen. Embora a situação varie de espécie para espécie, os biólogos concluíram que, de forma geral, "a antiquada noção de que os machos são capazes de produzir um número praticamente infinito de espermatozoides a um custo baixíssimo é incorreta, o que está comprovado". De fato, em uma espécie de aranha, os machos esgotam sua reserva de esperma depois de copular uma única vez. Talvez uma única ejaculação também não seja suficiente para assegurar a fertilização, o que torna a conta biológica ainda mais cara. A copulação inclui ainda outros custos além do esperma. Machos de muitas espécies oferecem "presentes nupciais", tais como pacotes de esperma ricos em nutrientes, presas capturadas ou até mesmo partes de seu próprio corpo. E para qualquer espécie em que o coito seja mais elaborado do que uma brutal e eficiente colisão de gametas, haverá custos de tempo e energia para a corte.

Pesando tudo, existem boas razões reprodutivas para que os machos de certas espécies sejam seletivos. Análises sobre o tópico fornecem ao behaviorista animal amador muitos estudos de caso fascinantes que indiretamente ilustram o princípio de que, para os machos, o acasalamento vem acompanhado de uma etiqueta de preço nada trivial. Os machos de algumas espécies (a exemplo da maria-fedida e do peixe-papagaio-dentuço) lidam com o problema dos custos do esperma à maneira do avarento Ebenezer Scrooge, relutantemente "ajustando de má vontade o tamanho de suas ejaculações" de acordo com a qualidade reprodutiva da fêmea. Outras, como o rato-marsupial-australiano Antechinus, lançam mão do enfoque oposto, entregando-se ao desregramento, essencialmente copulando até morrer em um breve frenesi reprodutivo. O preço do sexo para o macho da aranha-da-cruz-de-santo-andré é tão alto que ele só copula uma única vez na vida. De acordo com o que me explicou o biólogo Mark Elgar, da Universidade de Melbourne, isso ocorre porque durante essa especialíssima ocasião "o macho tolamente quebra seu aparato copulatório, e a fêmea acaba com seu constrangimento comendo-o" (não é para menos que essas aranhas macho carregam sua própria cruz e estão sempre entre a cruz e a espada). Outras espécies mantêm os custos baixos com uma castidade autoimposta. No laboratório de Elgar, bichos-pau-de-macleay machos recebem toda semana uma oportunidade de copular. Apesar de aparentemente não terem nada mais trabalhoso para fazer o dia inteiro além de se assemelhar a um graveto, só se animam a aproveitar a oportunidade de cópula entre 30% e 40% das vezes. Os besouros tenébrios (bicho-da-farinha), os grilos Anabrus simplex (também chamados de grilos-canibais) e os estorninhos-comuns ou estorninhos-malhados são, de tempos em tempos, igualmente indiferentes ao charme feminino. No fim fica claro que mesmo a drosófila, o garoto-propaganda original dos benefícios do estilo de vida namorador, vez por outra recusa os avanços das fêmeas, supostamente sob o pretexto de que está guardando o esperma para a parceira certa.

Em virtude de todas as complicações da história original de Bateman, não surpreende que no fim se evidencie que não existe nenhuma relação direta entre investimento e cuidado parental. Por muitos anos, as pessoas ficaram tão extasiadas pelas vertiginosas possibilidades reprodutivas dos machos que se esqueceram de perguntar de onde viriam todas as fêmeas a serem fertilizadas. Negligenciou-se o fato de que, em sua maioria, as fêmeas talvez já estivessem ocupadas com a prole existente. Na média, o sucesso reprodutivo dos machos não consegue superar o das fêmeas, devido ao simples fato de que cada descendente tem um pai e uma mãe. Como apontam os biólogos evolucionários Hanna Kokko e Michael Jennions, a possibilidade teórica de que um macho seria capaz de produzir dezenas de descendentes se copulasse com dezenas de fêmeas tem pouca importância se, na realidade, há poucas fêmeas disponíveis para fertilizar, e a competição por elas é intensa. Na definição de Kokko e Jennions, a teoria do investimento parental de Trivers "implicitamente presume que a melhor resposta para os machos - que enfrentam mais concorrentes de acasalamento do que as mulheres - é investir com mais peso em armas, enfeites ou outros traços característicos que aumentem seu acesso às parceiras. Há, no entanto, um contra-argumento válido: quando a situação fica difícil, e a necessidade aperta, os inteligentes fazem outra coisa".

Um exemplo maravilhoso é o besouro-do-esterco, cujos machos desenvolvem longos chifres com os quais, em postura agressiva e beligerante, montam guarda na entrada dos túneis que as fêmeas usam para copular e cuidar de seus ovos. Mas, enquanto os besouros com chifres lutam na entrada dos túneis, os machos menores adotam uma postura mais fácil e tranquila, que não exige chifres, tampouco o esforço da batalha. Eles apenas usam uma abertura lateral para entrar sorrateiramente no túnel, encontram uma fêmea e copulam (as fêmeas, aliás, não demonstram preferência particular por seus pretendentes tidos como mais masculinos). Nesse caso, os machos dispõem de duas estratégias reprodutivas, sendo a esperta tática de tentar "algo diferente" aquela que contorna a agressão e as armas. Porém, em outras espécies, os machos podem desenvolver um padrão mais geral de fazer "algo diferente": o cuidado parental. Se o cuidado parental evolui ou não em uma espécie parece depender da interação de muitos fatores diferentes ainda não compreendidos por completo. Mas, com certeza, é bem mais comum em pássaros e peixes do que em mamíferos, nos quais a gestação e a lactação impõem à mãe imensos custos biológicos iniciais. No entanto, uma exceção são os primatas, entre os quais, em pelo menos alguns deles, o cuidado parental é prática comum: "Muitos machos rotineiramente protegem, socorrem, patrulham, pajeiam, vigiam, adotam, carregam, abrigam, alimentam, limpam, enfeitam, arrumam os filhotes e brincam com eles".

É preciso deixar claro que a moral disso tudo não é alegar que os humanos são de fato como os maçaricos-das-rochas-de-peito-ruivo, os bichos-pau-de-macleay ou os chimpanzés. Não é sugerir que as fêmeas na posição de gerentes em uma empresa estão suprimindo a ovulação das estagiárias, nem inferir que, em algum nível primário, as mulheres que trabalham na creche querem matar nosso filho pequeno e talvez até comê-lo. E certamente não se trata de sugerir que as diferenças sexuais nos papéis reprodutivos são irrelevantes. Em vez disso, a questão é a incrível diversidade de papéis sexuais em todo o reino animal: entre as espécies, o sexo biológico é definido pelo tamanho do gameta, mas isso, por sua vez, não determina os arranjos para o acasalamento nem o cuidado parental. Isso significa que questionar a visão popular das relações sexuais humanas inspirada por Bateman não é um apelo especial para que os humanos sejam isentos dos princípios fundacionais que se aplicam a qualquer outro animal.

Contudo, não menos importante, mesmo dentro de uma só espécie, o sexo biológico não necessariamente grava a ferro e fogo um molde ou padrão fixo sobre como deve ser realizado o importante negócio da reprodução. As fêmeas do gafanhoto-verde, por exemplo, são ferozmente competitivas quando as fontes de comida são escassas, em tese porque os machos lhes fornecem pacotes de esperma ricos em nutrientes. No entanto, quando o ambiente é abundante no pólen com que se deleitam, elas mudam para um enfoque mais "convencional" e seletivo. Quem teria atribuído ao pólen o poder de alterar a natureza sexual? Ou vejamos o caso dos peixes gobião, em que a proporção de machos disponíveis para as fêmeas se altera com rapidez no decorrer de apenas poucos meses, à medida que os machos morrem exaustos pelas cópulas, pelas atribulações da criação dos filhos e pela vida em geral. Mais uma vez, a mudança ambiental exerce um efeito profundo sobre o acasalamento. "No início da temporada de acasalamento, os machos competiam agressivamente entre si por parceiras de cópula e eram muito ativos no galanteio, ao passo que, no final da estação reprodutiva, as fêmeas [...] assumem as rédeas e passam a cortejar os machos." E há o caso da ave ferreirinha-comum. Em um livro dedicado aos hábitos desse pássaro, o zoólogo Nick Davies, da Universidade de Cambridge, observa que um reverendo e ornitólogo amador de meados do século XIX "incentivava seus paroquianos a emular a vida humilde da ferreirinha-comum". No entanto, como o trabalho científico de campo de Davies documenta meticulosamente, esse pássaro "ostenta um comportamento sexual bizarro e um variado sistema de acasalamento". Dependendo de fatores, como a extensão do território das fêmeas e a compatibilidade entre machos e fêmeas na habilidade para a disputa, as ferreirinhas-comuns podem acabar enredadas em uma variedade de arranjos sexuais extremamente intrincada: monogamia, uma fêmea com dois machos, um macho com duas fêmeas, ou duas fêmeas compartilhando dois machos. Davies observa jocosamente que, se a congregação do reverendo amante de pássaros "tivesse seguido o exemplo, a paróquia mergulharia no caos".

Em suma, inclusive no âmbito de uma mesma espécie, o sexo biológico não necessariamente determina as estratégias de acasalamento, que em vez disso podem "variar de acordo com o espaço e no decorrer do tempo, e são expressas de forma flexível como funções de influências ecológicas e sociais", como sintetizam os biólogos suecos Malin Ah-King e Ingrid Ahnesjö. O cuidado parental, observam, parece menos flexível. Mas mesmo esse aspecto pode por vezes variar no âmbito de uma espécie. Por exemplo, em alguns bandos de macacos-japoneses selvagens os machos adultos protegem, carregam, limpam e mimam filhotes de um e dois anos de idade. Mas os machos de bandos diferentes, em outras partes do país, mostram menos cuidado parental ou nenhum cuidado. Mesmo quando se trata de algo tão fundamental quanto o acasalamento, os efeitos do sexo são mais amplos e flexíveis do que talvez tendêssemos a supor - um ponto a que retornaremos na segunda parte deste livro.

Afinal, em que situação isso nos deixa? Na biologia evolucionária, a seleção sexual vive um estado de convulsão empolgante; revelações empíricas estão virando de ponta-cabeça fatos tidos como líquidos e certos, ao passo que mudanças conceituais estão descartando antigos pressupostos. Um homem com um Maserati é um fenômeno fascinante, que merece ser objeto de estudos, com certeza. Mas se ele é o equivalente biológico humano do macho dotado de enormes chifres, seu carro imaculado sendo a con­traparte da tremeluzente e biologicamente extravagante cauda do pavão - essa já é outra questão.