A esquerda que não teme dizer seu nome

Vladimir Safatle


A esquerda que não teme dizer seu nome lança um desafio político de grande envergadura: reafirmar os princípios que orientam historicamente o pensamento da esquerda e renová-los, a partir das demandas da época.

Para o ensaísta e professor de filosofia Vladimir Safatle, a esquerda, nas últimas décadas, abriu mão dos fundamentos de sua luta política, acuada pelas críticas feitas às experiências comunistas no século XX, enfraquecida pelas políticas multiculturais e, quando no governo, seduzida pelos confortos do poder e pelas negociações do consenso.

Contra a acomodação e o esquecimento, o autor propõe que a esquerda recoloque no debate político tudo aquilo que é "inegociável": a defesa radical do igualitarismo, da soberania popular e do direito à resistência.

Em contraposição às políticas multiculturalistas, ele postula a necessidade de a esquerda ser "indiferente às diferenças" e retomar o universalismo.

Polêmico, Safatle diz que a esquerda precisa entender as necessidades do sujeito contemporâneo e que não há equívoco maior, atualmente, que contrapor o desejo dos indivíduos ao igualitarismo.

A esquerda que não teme dizer seu nome é uma leitura urgente e essencial para todos os que não têm medo da política e buscam a justiça social.

A esquerda que não teme dizer seu nome - Capa
  • Capa: Felipe Kaizer
  • Páginas: 88
  • Formato: 14 cm x 21 cm
  • Acabamento: brochura
  • Área: ciências sociais, filosofia, política
  • ISBN: 978-85-65339-04-9
  • Disponibilidade: 15/05/2012

O autor

  • Vladimir Safatle
    Foto: Fernando Donasci/Folhapress

    Vladimir Safatle é professor do departamento de filosofia da USP e colunista da Folha de S.Paulo. É autor de, entre outros, A paixão do negativo: Lacan e a dialética (2006), Lacan (2007), Cinismo e falência da crítica (2008) e Fetichismo: colonizar o outro (2010). Foi professor visitante das universidades Paris VII e Paris VIII, e das universidades de Toulouse (França) e de Louvain (Bélgica).

Três perguntas ao autor

1 Qual deve ser o papel de uma "esquerda sem medo" no Brasil?
Insistir que o novo desafio político consiste na criação de sistemas públicos de educação e saúde de qualidade, acessíveis a todos. Defender uma reforma tributária que taxe pesadamente os ricos, as grandes fortunas e os lucros bancários. Não há país que sobreviva seguindo a lógica do condomínio fechado e dos shoppings centers bunkers. Por fim, lembrar que a ostentação da riqueza é a pior de todas as falhas morais.

2 Por que a esquerda, hoje, "teme dizer seu nome"?
A esquerda se deixou aprisionar por um arrependimento em relação aos erros que cometeu no passado. Mas só a esquerda pode fazer uma autocrítica real. Esse trabalho já foi realizado e não precisa ser retomado a todo instante. O pensamento conservador continua defendendo um modelo de sociedade do século XIX. Contra ele, a esquerda deve voltar a afirmar com clareza que o capitalismo não tem boas respostas para as crises que ele mesmo cria.

3 Que valores devem orientar a esquerda atual?
Defesa do igualitarismo, indiferença quanto às diferenças socioculturais, compreensão de que justiça e direito podem se dissociar e, principalmente, consciência da irredutibilidade da soberania popular.

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