Três vezes Zumbi

Jean Marcel Carvalho França, Ricardo Alexandre Ferreira


Raros são os documentos do século XVII sobre a vida de Zumbi dos Palmares ou sua luta. O que a história nos legou foi uma vasta quantidade de comentários, juízos e impressões sobre o líder negro, expressos, desde o século XVIII, por historiadores, religiosos, viajantes, políticos, educadores, antropólogos, arqueólogos, militares, romancistas, cineastas e outros homens de cultura.

Os historiadores Jean Marcel Carvalho França e Ricardo Alexandre Ferreira apresentam em Três vezes Zumbi um mapa das diferentes versões que a sociedade brasileira formulou sobre esse personagem.

Os autores examinam as construções culturais de Zumbi, criadas em três períodos da história: o colonial, o da formação do Brasil como nação (até os três primeiros decênios do século XX) e o contemporâneo, que associou o líder negro à luta contra as injustiças sociais e às reivindicações políticas das minorias.

Perguntam os historiadores: "Qual é a verdade mais verdadeira acerca de Zumbi e de Palmares, que diz quem real­mente foi o líder negro e o que realmente ocorreu na serra da Barriga?". Eles mesmos respondem: "Se tal verdade existe, não nos foi dado, como seres que constroem culturalmente o mundo em que vivem, o privilégio de alcançá-la".

Na abordagem audaciosa de França e Ferreira, não é possível ter acesso a uma verdade definitiva sobre Zumbi, pois o que existe - e sempre existirá - é apenas a construção paulatina e variável de perfis para esse herói brasileiro, conforme as aspirações e as demandas de cada época.

Três vezes Zumbi - Capa
  • Capa: Amanda Dafoe
  • Páginas: 168
  • Formato: 14 cm x 21 cm
  • Acabamento: brochura
  • Área: história do Brasil, política
  • ISBN: 978-85-65339-03-2
  • Disponibilidade: 11/04/2012

Os autores

  • Jean Marcel Carvalho França
    Foto: Edson Silva/Folhapress

    Jean Marcel Carvalho França é professor de história do Brasil da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e autor de, entre outros, Visões do Rio de Janeiro colonial (José Olympio, 1999) e A construção do Brasil na literatura de viagem dos séculos XVI, XVII e XVIII (José Olympio/Editora Unesp, 2012).

  • Ricardo Alexandre Ferreira
    Foto: Edson Silva/Folhapress

    Ricardo Alexandre Ferreira é professor de história moderna da Unesp (Universidade Estadual Paulista) e autor de Senhores de poucos escravos (2005) e Crimes em comum: escravidão e liberdade sob a pena do Estado imperial brasileiro (2011), ambos publicados pela Editora Unesp.

Três perguntas aos autores

1 Por que é impossível saber "a verdade" sobre Zumbi?
Se estamos falando da "verdade mais verdadeira" acerca de Zumbi e de Palmares, da verdade depurada de todos os pressupostos, aquela que diz quem foi o líder negro e o que realmente ocorreu na serra da Barriga, esta, de fato, é impossível de ser alcançada. Em se tratando de Zumbi, há um limite de ordem prática: são poucos, muito poucos, os documentos que o século XVII deixou sobre ele.

2 Apesar disso, qual é a importância de Zumbi para a história brasileira?
Para obter tal resposta, o leitor terá de percorrer todo o livro, pois a sua novidade consiste justamente em descrever como sucessivas gerações construíram a figura de Zumbi e atribuíram valor ao personagem. Uma história com os contornos que estamos propondo dará ao leitor a oportunidade de constatar como aquilo que se tem denominado "verdades" acerca de Zumbi variou de acordo com os anseios, aspirações e ações, em suma, de acordo com as "formas de vida" e os quadros de referências adotados pelas sociedades que se constituíram no Brasil ao longo de pelo menos quatro séculos.

3 A história se faz também com mitos?
Mito não é propriamente a palavra. A história das sociedades humanas, do ponto de vista que a abordamos, é a história de diferentes pactos de verdade, de diferentes acordos em torno do que é legítimo e do que não é legítimo dizer sobre as coisas existentes no mundo em que estamos imersos. A história que propomos é, pois, uma "história da verdade", não uma "história do mito".

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